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domingo, 17 de agosto de 2014

Os reacionários, a escravidão e a minha falta de paciência...

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Antes do Sakamoto chegar à conclusão que a melhor forma de resistir aos reacionários é sendo mais reacionário eu já havia testado essa tese no fórum trabalhista (sou advogado e estou sempre lá)... O que vou contar aconteceu de fato, e desse jeito...

Eu estava na fila para o elevador do Fórum Trabalhista de São Paulo (que fica na Barra Funda) e a minha frente se encontrava um senhor de óculos aviador, cabelo branco com gel, parecendo saído de um filme brasileiro dos anos 70, baseado em Nelson Rodrigues que conversava com (o que parecia) ser seu advogado a sua frente:


- Vai entrar em vigor essa Lei das Domésticas... Olha que horror, daqui há pouco teremos de centenas dessas empregadas entrando aí pela porta do fórum, pedindo ´seus direitos´ (ler com voz de achincalhe) ... Esse governo não presta...

- É, realmente... - disse o titubeante colega advogado

- Elas pensam que são o que?

(nesse momento eu não me contive e me meti no meio da conversa)

- Humanos??!?!!?

(o senhor perdeu um pouco o rebolado mas continuou...)

- Não... Quer dizer, elas não são trabalhadoras, tipo chão de fábrica, sabe?

- Mas essa palhaçada toda começou já em 88!!! - retruquei com ar de revolta.

O advogado a frente se empolgou - Ah, sim, sim... Isso começou com a Constituição de 88!!!

- Não, não, me refiro a 1888... Maldita Princesa Isabel, que queime no inferno!!!!



(os dois se viraram para frente da fila e ficaram quietos , e eu não tive que ouvir mais asneiras até chegar o elevador).

domingo, 9 de junho de 2013

Criminalização da Política

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Vez ou outra vemos as frases "Político não presta", "Tudo farinha do mesmo saco", "Tinha que jogar uma bomba em Brasília", temperada com charges em que o Congresso Nacional é implodido, queimado ou atingido por mísseis....

Essas charges e comentários, que vêm de uma minoria bastante barulhenta, batem sempre na mesma tecla, de que o Brasil é uma porcaria, que a culpa é dos políticos, que são todos vagabundos.

Mas se você notar, essas críticas vêm quase sempre de pessoas que costumeiramente ou apóiam a direita, ou odeiam a esquerda (sem, no entanto, se dizerem de direita). Alguns tentam fugir da pecha de que apóiam a direita, se dizendo apartidários (porém, nunca criticam ícones da direita como FHC ou governos militares, e seus posts têm sempre cunho ideológico de direita, ora atacando projetos sociais como bolsa-família e sistema de cotas, ora defendendo dogmas da direita liberal, como menos intervenção estatal e a meritocracia ou então citando o onipresente mensalão – alias apenas o do PT -).



Antes de analisar as razões dessas pessoas, descritas acima, quero pincelar o que essa verdadeira criminalização dos políticos e da política é, dentro do contexto mundial.

É natural que tenhamos muitas ressalvas aos nossos políticos, afinal não são poucos os casos de corrupção e falta de integridade moral (que não se restringe a corrupção, como bem demonstra o nosso Deputado Feliciano e outros). Mas daí a achar que a política é, per si, algo ruim, que os políticos são todos safados vai uma diferença enorme. De fato, uma diferença entre democracia e ditadura, entre liberdade e repressão... 



Quer queira, quer não queira, os políticos são a forma pela qual o povo exerce indiretamente seu poder soberano, elegendo representantes para que, em seu nome, lute pelos seus interesses e governe o seu País, Estado, Município ou Distrito Federal. Na verdade, é político também aquele eleito pela associação de bairro, pela associação de pais e mestres de uma escola... Mais profundamente, é político também o chefe de família, o professor, o aluno, enfim todos nós... E exatamente por isso os políticos eleitos para exercer o poder público nada mais são do que o reflexo de nós mesmos.

Churchill disse que a democracia era uma péssima forma de governo, somente superior a todas as outras formas de governo. Com isso o premiêr mais popular da história britânica quis dizer que a democracia estava longe de ser perfeita, mas a alternativa era, historicamente comprovada, muito pior (para maiores e mais acadêmicas explicações sobre o assunto sugiro a leitura de Robert Dahl).



Quem é, portanto, contra os políticos, contra o Congresso Nacional, é contra a democracia, por simples impositivo lógico (não há como exercer a democracia em nosso país de outra forma que não elegendo representantes). 

Infelizmente, dado o grau em que nos encontramos, a arte de governar não pode ser feita sem ter que 'jogar' o 'jogo político', de interesses (e quando digo interesses não me refiro a interesses escusos, mas interesses políticos). O maior político dos EUA foi Abraham Lincoln, e ele teve que negociar, barganhar e até mentir para conseguir, por exemplo, garantir direitos aos negros (sugiro que se assista ao filme 'Lincoln'). Alguém já se disse que se faz política com os intestinos e não podemos ter fora do nosso alcance que cada político representa um grupo de pessoas, que o elegeu, e essas pessoas têm interesses conflitantes, porém todos merecem respeito em nome da democracia (mesmo um Feliciano representa um grupo, deverá ter essas idéias discutidas, desde que não conflitem com os direitos fundamentais de outros grupos, coisa que quase sempre acontece em se tratando desse político). O 'encaixe', e ajuste para gerar governabilidade não é algo fácil nem bonito. Porém, é necessário no jogo democrático esse ajuste.



Faz sentido, portanto, que as pessoas que tanto criticam nossos políticos como um todo, nosso Congresso Nacional, sejam de direita (que têm ainda um  caso de amor platônico com a ditadura). Não é à toa que vejamos mais e mais manifestações raivosas dessa minoria contra os políticos (e em especial contra o partido político que está no poder, sem perspectivas de sair tão cedo pela via democrática) nas redes sociais. 

Quanto a análise das razões dessas pessoas, pode-se ver no post anterior, onde é analisado o perfil daquele derrotado derrotista, cujo preconceito se tornou ideologia e cuja cegueira social e egoísmo não lhe permite perceber a mudança (para melhor) que o Brasil teve na última década. Mais importante é 'não perder a pose' (preconceito, na verdade), e continuar acreditando na meritocracia que alijou quase 60% da população brasileira do mercado de consumo por muito tempo. Ainda que a maior parte do Homo Reacionarius seja composta por vítimas desse mesmo sistema (o preconceito e o sonho de participar da parte de cima da pirâmide dessa falsa meritocracia é suficiente para cegá-lo da sua própria realidade, é como se, negando o pão na boca do outro, ele possa, pelo menos, manter o sonho de ter um pão na sua boca)

sábado, 8 de junho de 2013

Homo Reacionarius

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O Homo Reacionarius se sente traído... Traído pela realidade... Ele até confiava na democracia, até que a democracia levou ao poder alguém que ele não gostava, e esse alguém fez um governo contrário às suas idéias, porém de muito mais sucesso, em todos os indicadores, que o antigo governo.

Esperava o Homo Reacionarius que aquele governo fosse uma nuvem passageira, catastrófica para o nosso país, para poder dizer, ao final "Veja como aquela atriz estava certa, ela 'tinha medo' e tinha razão!!" - nunca mais haveria de existir uma eleição em que o povo se arriscasse - Porém a realidade lhe bateu firme na cara... Seus preconceitos não se alinharam com a prática, a teoria falhou onde a prática teve sucesso... Uma nova gente surgiu, se levantou e assustou o Homo Reacionarius... Essa gente viajou de avião quando antes não tinha o que comer. Antes, as linhas eram bem definidas, mantidas a fórceps, davam certo supedâneo lógico ao preconceito: "pobre era pobre por uma questão de DNA" (muito embora, para manter o verniz liberal, nunca o diga às claras). Pensa o Homo Reacionarius que todos têm direitos iguais nessa meritocracia magnífica que mantém os imprestáveis em seu devido lugar. Nunca esperou, o Homo Reacionarius, que esse povo todo pudesse se levantar, e se levantando, se mantivesse em pé, e de pé, tomasse para si o poder político. Seu sustentáculo mental, moral ruiu...







Tentou ainda, o Homo Reacionarius, dentro do jogo democrático, mostrar que estava certo, que aquilo tudo era uma ilusão. Mas contra a dura realidade do arroz com feijão no prato, da roupa nova, do emprego digno, as palavras do Homo Reacinarius é que pareciam ilusão. Alguns Homo Reacionarius, diante de um ódio avassalador ainda culparam diretamente o povo, mais especificamente o povo nordestino, pelo fim do 'seu sonho' (do Homo Reacionarius). Outros, mais inteligentes, preferiram se esconder em explicações mais palatáveis e mais bem elaboradas, verdadeiras trincheiras na guerra quase perdida contra a realidade.




E aí chegamos na última trincheira, a derradeira... O Homo Reacionarius percebe que não têm mais chance de vencer essa guerra, a História o atropelou com a força de milhões de deserdados sociais que recuperaram sua força política e vislumbraram uma realidade menos servil e mais esperançosa. Em puro desespero, abandonados pelos enfraquecidos partidos de direita (que também se sentem desarmados, mas não percebem que estão desarmados pois carecem de projetos alternativos para aqueles deserdados, eis que todos seus projetos visam uma minoria que foi alijada do poder), só lhes resta lutar agora contra o sistema. Eis a última trincheira: A democracia!

 O Homo Reacionarius tenta convencer (sabe-se lá quem) que a culpa está justamente nos pilares da democracia: os políticos, o Congresso Nacional e tudo o mais que dá sustentação ao jogo democrático. Mas note, ele o faz de maneira claudicante... Critica, com base no senso-comum o político em geral, mas atira sempre no mesmo partido político (que por acaso deu poder a massa que os alijou), sempre em seus símbolos, poupando (quase sempre, mas não sempre), os símbolos de sua direita (os caciques dos partidos de oposição, o próprio partido de oposição), pode até para disfarçar e dar forças ao seu argumento pouco democrático, atacar aqui e acolá alguém do seu partido ou até mesmo o partido de oposição (de leve, bem de leve, sem nenhuma charge, por favor), mas as baterias sempre estão muito mais fortes contra o governo eleito, seu partido e seus aliados. 

Resta saber se o Homo Reacinarius será extinto de fato, ou se terá sucesso parcial aqui e acolá... O que se sabe é que, com sua pouca inteligência, o Homo Reacionarius está fadado a desaparecer, gritando e esperneando, levando consigo todo um complexo midiático que lhe serviu muito bem, alimentando-o, porém tão ineficaz quanto os partidos de oposição.

O Papel das Redes Sociais no Debate Ideológico

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Inspirado por uma conversa com minha esposa, achei por bem retomar os debates de cunho político-ideológico desse blog, iniciando com uma exposição do que penso acerca das críticas sobre os "Revolucionários do Facebook".

Até bem pouco tempo, os debates políticos estavam restritos a círculos mais ou menos fechados e/ou restritos (como uma mesa de bar ou entre aqueles que tinham energia para participar de plenárias diversas, além de poucos jornais, panfletos). Os grandes meios de comunicação impunham suas ideias e abriam bem pouco ao debate (Seja por impossibilidade do meio, seja por motivos políticos). Você recebia as informações (deformadas ou não) em sua casa e restava acreditar ou não naquela versão que chegava. 

Alguns poucos valentes faziam panfletos, denunciavam com cartazes, reuniam grupos de debates, mas com pouco ou nenhum efeito real sobre a massa popular que assistia ao Jornal Nacional.

Hoje, com a expansão tecnológica dos meios de comunicação, uma nova ferramenta surgiu: A rede social. Essa nova tecnologia não apenas deu voz (e visibilidade) a quem não tinha, mas também deu a oportunidade de questionar o 'status quo' da comunicação, fazendo surgir uma 'afronta' à notícia direta, gerando debates e construindo ideias.




É esse meio de comunicação, a democratizar o debate de ideias, que hoje é hostilizado por aqueles que não têm ideias, mas preconceitos travestidos de ideias, e que, confortáveis até outro dia em seu mundinho, se veem agora obrigados a engolir argumentos contrários aos seus pensamentos e tê-los posto em debates às claras, ao escrutínio de todos. 

Por óbvio, aqueles que não querem ter seus preconceitos escancarados e demolidos por fatos e argumentos, se escondem de todas as formas, e a nova moda é dizer que "discutir no facebook não leva a nada", e aí se encolhem nas sombras de seus monólogos mentais. 

Claro, há muito desgaste em discussões no facebook, que muitas vezes são inúteis do ponto de vista conclusivo, mas abortá-los como um todo é sinal de que o ego não permite diferenciar entre uma discussão infrutífera e uma demolição de seus preconceitos, caindo-se na opção segura e socialmente aceita de 'não se envolver mais nesse tipo de discussão'.  

Muitas pessoas preferem, de fato, não se desgastar em qualquer tipo de debate, e isso é totalmente compreensivo, cada caso têm suas peculiaridades, cada pessoa suas necessidades e limites. Uma pessoa que prefere mansidão talvez não se sinta confortável no meio de uma discussão acalorada, mas esse tipo de pessoa não se mistura com o tipo que estou a me referir.

O tipo de pessoa a que me refiro, que fala sobre "Revolucionário de Facebook", é aquele que até outro dia vomitava seu preconceito racial, social ou de gênero na Internet e que, depois de ter suas idéias debatidas amplamente, decidem que "não querem mais participar disso" (mas continuam dando 'curtir'  em comentários de outros  seguem sua linha errática de pensamento).

Essas pessoas se acostumaram a limitar suas idéias a pequenos grupos, onde a segurança de seu círculo servia de escudo à verdade, ao debate. Quando expostas (suas idéias) percebe-se que não há nenhum tipo de respaldo lógico ou fático e que, por fim, suas idéias não passam de preconceitos. E, como todos sabemos, preconceitos se combate com idéias. Portanto, abortemos o debate de idéias, de maneira que se possa sair com o ego quase inteiro.




Voltando ao conceito de redes sociais como fonte de debates ideológicos, temos que o "Revolucionário de Facebook", hoje é a pessoa que fazia panfletos underground ontem. É uma massa de pessoas que ganhou voz, que antes, por falta de energia, por falta de oportunidades, não tinha como expor seus pensamentos, sua idéia sobre política. E o conjunto dessas pessoas acaba servindo como contra-ponto às notícias jogadas pela mídia, pois cria-se uma rede de informações que, compartilhadas, costumam jogar luz sobre vários pontos deixados obscuros por motivos políticos.

Por isso eu louvo os "Revolucionários de Facebook" e recrimino vigorosamente aqueles que tentam abortar o debate nas redes, diminuindo a importância dessas na construção democrática.




(Em tempo: o debate gera idéias que destrói preconceitos maquiados de idéias, por isso blogs como de Reinaldo Azevedo NÃO permitem o debate).