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quarta-feira, 6 de maio de 2015
domingo, 30 de junho de 2013
Sobre as manifestações e o governo.
Estamos numa espécie de quarta-feira de cinzas dos movimentos e
manifestações que tomaram conta do Brasil por quase duas semanas. Talvez seja a
hora de começarmos a tentar entender um pouco o ocorrido, e embora não seja tão
pretensioso a ponto de tentar encaixar uma compressão, uma Teoria do Tudo
Político das Últimas Semanas, gostaria de dar minha opinião, com base em tudo
que vi, vivi e li.
Antes de entrar no objeto dessa análise, quero delimitar um pouco o
assunto. Não falarei aqui das infiltrações conservadoras, nem (pelo menos
diretamente) da manipulação midiática ou do cheiro de golpe que muitos
sentiram. Quero, na verdade, fazer um ensaio crítico sobre os acontecimentos,
focando na vontade das ruas e nas atitudes do governo. Claro, em dado momento a
pauta foi sequestrada por grupelhos de direita e extrema-direita, por parte de
uma classe média completamente retrógrada e acéfala, mas isso é fácil de se
notar. Eu me refiro a população mesmo, que deu apoio majoritário às
manifestações (Ainda que não saibam bem sobre do que se tratava). Parece óbvio,
também, que essa classe média preconceituosa e imbecilizada não teria espinha
nem mobilização para fazer essas manifestações. Já havia ensaiado com
movimentos como “Cansei” e a “Marcha
contra a Corrupção”, mas por falta de visão política e confiança popular, nunca
deu em nada.
Então por quê isso aconteceu agora? Qual a razão de, agora, termos
essa manifestações todas?
Li muitos ensaios sobre o assunto, inclusive artigos internacionais,
e alguns autores me pareceram mais próximos do que eu penso ser a verdade (como
Boaventura e Safatle).
Para tentar explicar isso que eu penso, vou começar por uma análise
histórica:
A primeira eleição de FHC se deu sob os louros do Plano Real
(irrelevante, nesse caso se ele era o pai ou não do plano, ele tornou-se o pai
da idéia no imaginário popular), vínhamos de amargas lembranças da
hiperinflação, dos governos Sarney e Collor e FHC tinha essa bandeira dourada
que era o Plano Real. E essa foi a única bandeira, que ele jogou na nossa cara
durante 4 anos. Nada fez além de balançá-la na nossa frente quando alguém
questionava, por exemplo, sua atuação no campo social. Seu governo começou a
fazer água, por pura incompetência, e ganhou sua segunda eleição, cercado de
denúncias de corrupção e clara incompetência econômica e política. Sua bandeira
para ganhar a eleição foi, novamente, o Plano Real, imorredouro. A alternativa trazia
o medo de acabar com a única conquista de seu governo que valia a pena, a
estabilidade econômica do Plano Real. E assim ele venceu, mais pelo medo do que
pela esperança.
Seu segundo mandato apenas agravou a crise econômica, moral e social
do país. Ficou claro que o Plano Real já era algo distante, algo consolidado e
já não mais poderia ser usado como bandeira. O PT se fortalecera nas lutas
sociais, nas ruas, nas críticas ao ‘outro lado’ do Plano Real, na quase
intocada exclusão social, no desemprego, na inflação que voltava a ter
patamares preocupantes (muito embora a grande mídia tudo embaçasse). Lula fez a
famosa Carta ao Povo Brasileiro, em que se comprometia a não fazer reformas
profundas na economia, preservando o Plano Real. Bingo! Era isso que o povo
queria. Estava cansado, havia 8 anos que não havia nenhuma novidade no campo
social, a saúde, segurança, educação estavam destruídos, sucateados. O povo
queria, de fato, mais. O dragão da inflação estava conquistado. E o povo estava
cansado do argumento imortal do Plano Real. O medo diminuíra e a esperança de
acabarmos com o arrocho, com a exclusão social, de haver um diálogo mais amplo
com a sociedade e com as camadas mais pobres tornou-se uma clara bandeira.
Lula venceu por conta do cansaço e desgaste do Plano Real e a falta
de alternativas sociais do governo anterior. Como tudo na criação evolui, as
demandas populares também evoluíram. O povo queria mais. Por isso, 8 anos de nada
trouxeram o esgotamento do “casamento” entre o povo e o Plano Real. Descobriu-se
que, apesar do Plano Real, problemas sociais seríssimos não só continuavam, mas
se agravavam. Todo o esforço da mídia não foi o bastante para segurar a
“revolta” popular, democrática, que levou Lula ao Palácio do Planalto.
Com todo o respeito ao Lula, com a terra devastada encontrada, a economia em frangalhos, não foi difícil fazer sucesso. Lula não lançou um
“Plano Real”. Lançou vários: Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, PRoUni,
FIEES, PIBÃO, PAC, etc... Todos esses programas, a maioria de cunho social,
tiveram um impacto estrondoso na economia, mas, principalmente, na alma dos
brasileiros. Lula era o “cara”. Durante seu governo, nos 4 primeiros anos, nem
mesmo a agressiva mídia conseguiu lutar contra a realidade. Lula era um baú de
boas notícias para o povo.
Sentia-se claramente o Brasil avançando. O diálogo social, com o MST
e tantos outros movimentos aumentou. Adicionado seu incomparável carisma com os
fartos resultados sociais e competência administrativa, econômica e política e
pronto. O segundo mandato foi facilmente conquistado, apesar das baterias
midiáticas. E o povo sentiu que o segundo mandato continuou com as conquistas
os diálogos sociais. Na verdade o segundo mandato teve ainda mais novidades,
continuando tudo que houve no primeiro e adicionando mais e mais conquistas. O
PIBÃO veio aí, no segundo mandato, de fato. Resultado: Emplacou seu primeiro
“poste”, a Dilma Rousseff.
Dilma ganhou a eleição como a mãe do PAC. Mulher inteligente, dura
mas ligada as raízes lulistas, mereceu toda a confiança do povo brasileiro, e
por boa parte de seu segundo mandato teve uma aprovação até maior que do Lula.
Parecia novela da Globo, que entrega o Ibope em alta pro segundo programa... A
oposição estava esfacelada (tanto a partidária como a midiática). E aí, aí a
coisa desgringolou...
Dilma não têm a mesma facilidade de diálogo que o Lula,
principalmente com os movimentos sociais. Abortou-se o diálogo, quase que
completamente, com as bases do partido, e o PT ficou anestesiado. Fisiologismos
não seriam mais perdoados, pois não se via mais as “novidades” sociais. Ao contrário, vimos índios serem
mortos, Ministro da Justiça apoiar ação truculenta da Polícia. Pouco diálogo,
afastamento das agendas sociais. Tudo em nome do necessário foco na parte de
infraestrutura. Eram discussões sobre a Taxa Selic, sobre obras gigantescas,
mas índios morriam, terras eram tomadas, plano de lei de mídias engavetadas...
E nenhum “Plano Real”. Dilma achava que apresentando as obras do PAC-2 seria
suficiente. Não foram. Os serviços públicos eram terríveis, a própria Bolsa
Família levou duro golpe, e o povo chego a acreditar que seria extinta! (será
que pensariam isso se fosse o Lula presidente?). Sentia-se nos poros que algo
havia mudado. Para piorar, a mídia deu tomatada no dragão da inflação e, o
povo, desconfiado, franziu a sombrancelha.
José Eduardo Cardoso, Paulo Bernardo, Gleise Hoffman davam provas do
distanciamento do governo e do PT das ruas. O PT ganhou em São Paulo, na
capital, mas já com uma bomba armada, a desconfiança de que o PT, não mais era
um partido com tanto apego ao povo e ao social. O aumento de 0,20 foi o
estopim, em que pesem os menos de 6 meses de governo do Haddad, ele pagou pelo
pato dos outros.
Dentro desse quadro todo, com a mídia fustigando, com desconfianças
sobre a vontade politica do PT, surgiu um vácuo à esquerda, que o MPL acabou,
sem querer, sugado. E aí tudo explodiu. Os jovens à esquerda sentiram que ‘têm
que mudar” (Seja lá oq for), e os à direita concordaram (sim, tem que mudar,
mas não necessariamente o ponto que a esquerda quer).
Espero que, tudo isso sirva para acordar o PT de sua letargia
social, para ao invés de assustar, encorajar as necessárias mudanças, que lance
bandeiras sociais, que o povo quer (não dá para fazer como FHC que sentou
durante 8 anos no ‘sucesso’ do Plano Real, e ficar 8 anos sentado no sucesso
dos projetos sociais do Lula, o povo quer mais, sentiu o gostinho de voltar a
fazer parte, a classe média está aí, confusa, mas querendo mais). Financiamento
público para partidos, lei de mídias, mais projetos de inclusão social, diálogo
com os movimentos sociais poderão ser as respostas...
sábado, 8 de junho de 2013
Homo Reacionarius
O Homo Reacionarius se sente traído... Traído pela realidade... Ele até confiava na democracia, até que a democracia levou ao poder alguém que ele não gostava, e esse alguém fez um governo contrário às suas idéias, porém de muito mais sucesso, em todos os indicadores, que o antigo governo.
Esperava o Homo
Reacionarius que aquele governo fosse uma nuvem passageira, catastrófica para o nosso
país, para poder dizer, ao final "Veja como aquela atriz estava certa, ela
'tinha medo' e tinha razão!!" - nunca mais haveria de existir uma eleição
em que o povo se arriscasse - Porém a realidade lhe bateu firme na cara... Seus
preconceitos não se alinharam com a prática, a teoria falhou onde a prática
teve sucesso... Uma nova gente surgiu, se levantou e assustou o Homo Reacionarius...
Essa gente viajou de avião quando antes não tinha o que comer. Antes, as linhas
eram bem definidas, mantidas a fórceps, davam certo supedâneo lógico ao
preconceito: "pobre era pobre por uma questão de DNA" (muito embora, para manter o verniz liberal, nunca o diga às
claras). Pensa o Homo Reacionarius que todos têm direitos iguais nessa
meritocracia magnífica que mantém os imprestáveis em seu devido lugar. Nunca
esperou, o Homo Reacionarius, que esse povo todo pudesse se levantar, e se
levantando, se mantivesse em pé, e de pé, tomasse para si o poder político. Seu
sustentáculo mental, moral ruiu...
Tentou ainda, o Homo
Reacionarius, dentro do jogo democrático, mostrar que estava certo, que aquilo
tudo era uma ilusão. Mas contra a dura realidade do arroz com feijão no prato,
da roupa nova, do emprego digno, as palavras do Homo Reacinarius é que
pareciam ilusão. Alguns Homo Reacionarius, diante de um ódio avassalador ainda
culparam diretamente o povo, mais especificamente o povo nordestino, pelo fim
do 'seu sonho' (do Homo Reacionarius). Outros, mais inteligentes, preferiram se
esconder em explicações mais palatáveis e mais bem elaboradas, verdadeiras
trincheiras na guerra quase perdida contra a realidade.
E aí chegamos na última
trincheira, a derradeira... O Homo Reacionarius percebe que não têm mais chance
de vencer essa guerra, a História o atropelou com a força de milhões de
deserdados sociais que recuperaram sua força política e vislumbraram uma
realidade menos servil e mais esperançosa. Em puro desespero, abandonados pelos
enfraquecidos partidos de direita (que também se sentem desarmados, mas não
percebem que estão desarmados pois carecem de projetos alternativos para
aqueles deserdados, eis que todos seus projetos visam uma minoria que foi
alijada do poder), só lhes resta lutar agora contra o sistema. Eis a última
trincheira: A democracia!
O Homo Reacionarius
tenta convencer (sabe-se lá quem) que a culpa está justamente nos pilares da
democracia: os políticos, o Congresso Nacional e tudo o mais que dá sustentação
ao jogo democrático. Mas note, ele o faz de maneira claudicante... Critica, com
base no senso-comum o político em geral, mas atira sempre no mesmo partido
político (que por acaso deu poder a massa que os alijou), sempre em seus
símbolos, poupando (quase sempre, mas não sempre), os símbolos de sua direita
(os caciques dos partidos de oposição, o próprio partido de oposição), pode até
para disfarçar e dar forças ao seu argumento pouco democrático, atacar aqui e acolá
alguém do seu partido ou até mesmo o partido de oposição (de leve, bem de leve, sem nenhuma charge, por favor), mas as baterias
sempre estão muito mais fortes contra o governo eleito, seu partido e seus
aliados.
Resta saber se o Homo Reacinarius será extinto
de fato, ou se terá sucesso parcial aqui e acolá... O que se sabe é que, com
sua pouca inteligência, o Homo Reacionarius está fadado a desaparecer, gritando
e esperneando, levando consigo todo um complexo midiático que lhe serviu muito
bem, alimentando-o, porém tão ineficaz quanto os partidos de oposição.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Uma nova era...
Depois de longo e tenebroso inverno estou de volta para iniciar uma nova fase no nosso blog...
Decidi reanimar o blog trazendo a proposta original desse fórum de idéias: Convidando novos editores, ainda que tenham idéias bem contrárias às minhas (talvez por causa disso).
O primeiro desses editores se intitula Mágico de Oz, de dentro de seu bunker ele cultiva uma visão ... diferente... do mundo que vivemos. Encontrei (e debati) suas idéias por muito tempo e achei que seria uma prova de fogo para o nosso blog colocar seus textos a prova aqui em nosso blog.
Irei eu mesmo postar o primeiro texto dele, nesse post mesmo (talvez para temperar um pouco seu estilo irascível ou pelo fato dele não ter ainda seu mail devidamente configurado para postar pessoalmente suas idéias).
Informo, novamente, que as idéias a seguir expressas e todas assinadas pelo Mágico de Oz não constituem minhas convicções e ideologia (do editor Conspiração Ideológica), nem tampouco minha linha de pensamento (muito ao contrário). Mas o blog Conspiração Ideológica nasceu com a idéia de manter um debate franco, sem peias, sem preconceitos, no melhor estilo libertário que a Internet nos outorga, por isso saúdo um dos primeiros co-editores do blog, o Mágico de Oz!
Oz
ASSASSINOS do mundo regozijem-vos.
Nós brasileiros vos amamos, aqui, nestes país maravilhoso, onde se plantando tudo dá, agraciado por Deus e belo por natureza, mais que beleza, tem carnaval, tem nega Tereza, tem impunidade e malandragem, não aquela malandragem romântica, mas a malandragem real, aquela pra peixe grande.
Aqui vai ter copa do mundo e olimpíada, não se sabe ainda o preço. Mas pro malandro esperto é sinal de muitos lucros.
Não resta dúvida, somos o país do futuro.
Assassinos do mundo venham rápido.
Aqui vocês são bem vindos.
Somos o país do futuro, somos imorais e sem ética, vocês vão gostar.
Aqui vocês estarão seguros, nenhum país democrático pode pegar vocês aqui. Nós os protegeremos, vocês são o tipo de gente que queremos por aqui.
Aqui morou um tal de Gerson, um grande filósofo brasileiro, muito estudado por um tal de Luis Inácio. O lema do Gerson era tirar vantagem em tudo.
Por quê?
Porque ele era ESPERTO.
Se você for um assassino venha pra cá.
Se for um terrorista venha pra cá.
Venha pro paraíso, aqui seus crimes não valem nada. Pode matar a vontade, pode roubar a vontade, pode cometer os crimes mais vis que ninguém se importa.
O importante é fugir rápido de seu país e chegar aqui, são e salvo.
Nós não respeitamos tratados, nem sabemos bem o que é isso.
O Gerson nos ensinou muito bem, esse tal de tratado só vale quando é pra tirar vantagem de alguma coisa. Sem vantagem nada feito.
Corram pra cá. Vocês podem até virar brasileiros, viver aqui até morrer, sem responder por nenhum crime. Aqui vocês tem a ficha limpa. Aqui vocês são cidadãos modelo.
Sol, mar, praia, carnaval, futebol e impunidade. É o mundo perfeito.
Diplomacia por aqui é só para os nossos amigos.
Ditadores aqui viram democratas. Democratas são ditadores.
Aqui é Oz
Lula é nossa Dorothy, Dilma é nosso Leão, Tarso Genro o nosso homem de lata, e Amorim nosso Espantalho.
Aqui é a ilha da fantasia.
Lula é nossos Sr. Roarke, Dilma é o nosso Tattoo.
Para nossa diplomacia, preso político é bandido e preso comum é perseguido político.
Aqui nós não gostamos de açougueiros, porque quem come carne é burguês e quem alimenta burguês não merece nossos sentimentos.
Aqui, assassino, você pode ser imigrante, ter carteira de identidade, de trabalho, até passaporte. Você vira brasileiro.
As famílias das pessoas assassinadas só me resta dizer DANEM-SE. Memória das pessoas assassinadas não valem nada, nada mesmo. Aqui no brasil nós estamos rindo da memória dos mortos.
Terrorista aqui é bem vindo, se for de esquerda então é herói.
Assassinos do mundo venham para cá, nosso Cristo estará de braços abertos esperando por vocês, e o país não será uma mãe, mas uma prostituta, toda arreganhada para vocês fazerem o que quiserem em seu novo pais. Porque aqui as decisões são tomadas no apagar das luzes.
Bem vindos à Ilha da Fantasia, bem vindos a nossa querida Oz.
Brasil, o país dos assassinos e terroristas, ame-o ou deixe-o, e que o último feche a porta.
Mágico de Oz.
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