Como a maioria das pessoas já sabe, a atriz Leila Lopes de 50 anos suicidou-se, deixando uma carta em que tenta expor um pouco de suas razões e sentimentos.
Nessa carta a atriz parece sentir um pouco de confusão e também muita amargura, mágoa, medo e muitos outros sentimentos (inclusive afirmou estar feliz). Não importa a razão final que levou a atriz a esse ato tão desesperador, são muitas as causas que podem levar a isso, mas todas têm um ingrediente em comum: Uma profunda dor... Tirar a própria vida vai contra o nosso próprio instinto de auto-preservação, para se atentar algo desse naipe é preciso que a dor seja imensa, tão grande que esse instinto que todo ser vivo têm, de buscar sempre a sobrevivência, fica ´amortecido´. Não, suicídio não é um ato de coragem, nem tampouco de covardia. É um ato de desespero, um grito contra a dor... Antes de entendermos o que levou alguém ao suicídio (que é apenas o passo final de um processo que vêm de longe) devemos entender que, se alguém se suicidou, o fez porque provavelmente não foi ouvido ou não conseguiu ser ouvido em sua dor e angústia.
Quando o ser humano não têm uma válvula de escape para suas dores, angústias ele acaba por ´explodir´ de uma forma física, podendo machucar a si ou a outros. Ouvir o outro (ouvir não é escutar!) é essencial para diminuir essa panela de pressão que está se formando e que dá quase sempre sinais gritantes. Mas ouvir é respeitar a dor do outro, acolher, e não comparar os problemas do outro com os seus, minimizando assim o que o outro está sentindo. Ouvir é compreender, ser respeitoso com o que o outro sente, não interromper para ´opinar´ ou ´aconselhar´ (fazendo isso nos colocamos numa posição de superioridade que impede que OUÇAMOS o outro). O acolhimento que damos, com carinho e amor, ao outro que nos conta sobre suas dores mais profundas é um bálsamo que pode ajudar a ´diminuir a água do copo´
Se essa tragédia trouxe algo de bom é a reflexão (não o julgamento) sobre como é importante ouvir o outro para que ele não tenha que escrever uma carta de despedida falando de todos os sentimentos reprimidos que não pôde falar enquanto com vida.
Vale ressaltar que o C.V.V (Centro de Valorização da Vida), entidade filantrópica sem fins lucrativos faz esse trabalho de amparo emocional, ouvindo e acompanhando todos que gostariam de ter um ombro amigo, falar de seus problemas ou alegrias, mas não encontram com quem dividir, ou por medo do julgamento ou por medo da incompreensão. O telefone é 141 e o serviço é sigiloso, todos podem ligar, a qualquer momento, para bater um papo e refletir sobre si com alguém que certamente o acolherá e o compreenderá, sem julgamentos ou preconceitos.

