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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Emprego Público, a solução de todos os males?



No resto do mundo, o funcionário público é muito desvalorizado, goza de uma reputação não muito honrosa de trabalhador de segundo escalão...


No Brasil, hoje, isso é bem diferente... Tendo em vista em especial a estabilidade e altos salários (em média maior do que da iniciativa privada), muitos profissionais de alto gabarito procuram a carreira pública.


Isso têm seu lado positivo e negativo..... Sem dúvida é positivo ter servidores públicos de alto nível, eis que um bom serviço público é essencial para o funcionamento estatal... O lado negativo é que, por força da estabilidade, o servidor público acaba ganhando uma aura de ´intocável´, de ´realeza´ (em especial nas mãos de juízes).


Paradoxalmente, grande parte dos servidores públicos trabalham em condições terríveis, eis que o emprego público é totalmente dependente da boa vontade do poder executivo, e melhoria de condições de emprego público não dá voto a ninguém, portanto...


Sem adentrar na discussão sobre se o serviço público como está , se é um modelo ideal ou não, o fato inegável é que a garantia de estabilidade somada a razoável ganho (de parte do servidor público, deixemos isso claro) oferece uma luz no fim do túnel para muitos e é uma opção concreta de segurança financeira.


Mas a concorrência é enorme... Concurseiros profissionais se preparam com afinco para agarrar uma vaguinha pública, seja ela qual for... Hoje, a função pública não é questão de vocação, mas de bóia de salva-vidas... Com isso temos muitas bóias para o sempre enorme número de náufragos, e quando algum agarra sua bóia, a tendência é... relaxar...


Claro, não quero generalizar, muitos escolhem o serviço público com excelentes intenções, alguns pode-se dizer até, têm vontade de fazer algo pelo País. Mas quando se vê milhões (não, não quis dizer milhares, quis dizer milhões sim) procurando uma vaga, QUALQUER vaga, não posso deixar de concluir que têm algo de errado, tanto de um lado quanto do outro... O resultado é que temos juízes despreparados, que o são apenas por uma questão de ego, sem a sensibilidade humana necessária para esse cargo... Cartorários que se escondem atrás da burocracia para atender pior a comunidade... Não há como negar que quanto  ´mais alto´ o cargo, pior a situação, guardando o devido cuidado com as generalizações (conheço muitos juízes e promotores de tirar o chapéu, preocupados com a coisa pública, mas para cada um desses há uma infinidade de mediocridade humana, e TODOS sem exceção, dos que se consideram ´superiores´ e agem como o tal, tem um problema tremendo de baixa auto-estima e grave alienação social).


Sou francamente favorável ao fim da estabilidade, desde que haja um mecanismo de segurança que impeça a mudança de cargo ao bel prazer dos nossos políticos fisiologistas... Assim como sou a favor da valorização do bom funcionário público que sempre paga o pato pelo mau funcionário, valorização essa que passa por uma melhor distribuição de salários e condições dignas para que o funcionário público se sinta confortável o suficiente para querer trabalhar com afinco e responsabilidade, atendendo ao melhor interesse da comunidade (e não da burrocracia).

3 comentários:

Jeferson Assis disse...

Cara, arranjar um trabalho em algum órgão público, ainda mais se for através de um processo seletivo, é uma das melhores oportunidades que se tem.


Geralmente, quando há algum órgão público lançando edital, estou sempre correndo atrás de uma vaguinha..

Abraços...

Kurt Zampieri disse...

Parabéns pelo blog!
Se o modelo é certo, ou não. Eu não sei, mas eu também estou sempre de olho...

Abração!

Daniel disse...

Acho que a estabilidade deve ser questionada sim e sempre, pois como todo sabemos nem todos os funcionários são bons funcionários. Deve haver alguma penalidade para mudar a situação precária em que é prestado o serviço, e talvez, até acabar com o estabilidade em alguns casos gritantes.

Eu como advogado estou de saco cheio da maioria do juízes que se comportam como Deus mas começam a trabalhar as 14:00 horas. Absurdo isso! Em compensação temos outros ótimos juízes, mas infelizmente não são a maioria.

Daniel