Pages

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pichação e Arte - Nada a ver...

4 comentários:


Existe um assunto que eu sempre quis debater mas também sempre tive um pouco de receio de trazer à baila, não apenas pela sensibilidade do assunto, mas também em razão da subjetividade inerente a ele, porém após ver a notícia do assassinato do dono de uma escola de música, que perdeu a vida ao defender o seu muro da ação de pichadores eu achei que estava na hora de tocar o dedo na ferida...

Primeiro, antes de entrar no debate, quero trazer uma definição, a mais bem aceita, do que é arte. Essa tarefa de definição de algo tão subjetivo é praticamente impossível, mas vamos pelo menos tentar iniciar de algum ponto:

Art is the product or process of deliberately arranging items (often with symbolicsignificance) in a way that influences and affects one or more of the senses,emotions, and intellect.

("Arte é o produto ou processo de arranjar deliberademente objetos (geralmente com significância simbólica) de forma a influenciar e afetar um ou mais das sensações, emoções ou intelecto.")

Pois bem, convenhamos que essa definição é pobre, mas reflitamos que uma definição de algo tão importante, em uma frase é impossível, razão pela qual podemos tentar fazer uma definição pessoal e/ou uma definição do que NÃO é arte. Acho isso mais fácil e lógico.

Primeiro, se usarmos a definição acima, praticamente TUDO é arte, inclusive um assassinato, por exemplo. Na minha humilde opinião, a arte é também libertária... Ela tem uma qualidade de libertar não apenas quem cria, mas também quem aprecia... Se, de alguma forma a arte for constrangedora da liberdade básica de outro ser humano, ela deixa de ser arte... Arte não se impõe pela força de vontade do criador (como uma lei, por exemplo), pois se impõe dessa forma, ela é uma manifestação extremada do ego, que se impõe à sensibilidade artística do criador. Quando eu assassino alguém, por mais ´artístico´ que seja a forma com que faço isso, deixa de ser arte pois a violência atravessa a liberdade individual (e criativa) de outra pessoa, constrangendo essa pessoa a ´fazer parte´ da sua arte, quer queira quer não queira, destruindo um dos pilares da criação artística que é a liberdade criativa. A arte para ser arte deve não apenas ser arte na cabeça de quem cria, mas também na de quem aprecia, se você ´força´ alguém a apreciar isso, ela deixa de ser libertária para ser constrangedora e torna-se uma forma de violência egoística... Essa é a minha opinião...

Pois bem, já nesse ponto expresso acima temos que pichação NÃO é arte por conta do seu caráter constrangedor de vandalismo, como se isso não bastasse, e aí eu vou para uma análise ainda mais pessoal e subjetiva, a pichação é claramente uma forma de extravasar sentimentos, na verdade sentimento de egoísmo... O pichador não quer fazer arte, ele quer aparecer (A ousadia conta mais do que o sentimento a ser demonstrado, quanto mais alta a pichação, melhor), se aproximaria mais de um esporte do que de uma arte. São assinaturas em forma de garranchos, que apontam sua ´ousadia´, querem mais do que mostrar sua ´arte´, mostrar que PODEM.  Nesse processo eles constrangem a criatividade e bom (ou mau) gosto dos outros, e não se importam com isso... Um muro de uma casa pintado de branco é a expressão criativa do morador, que escolheu sua cor, que melhor combina com sua idéia artística e o fez, apenas para ter sua forma de expressão tolhida por garranchos de outrem, que o faz não para demonstrar sua arte (não sejamos ingênuos), mas para dizer ´eu estive aqui´, muitas vezes para mostrar para os amigos e namoradinhas sua ´ousadia´.. Tanto é que em geral cada um usa o mesmo garrancho aqui e acolá... Fosse arte MESMO, o artista tocaria a campainha do dono do muro e pediria licença para pichar... Não, pichação não é arte, é apenas uma forma de extravasar o ego tolhido por motivos nunca bem entendidos, que se expõe de forma impositiva e violenta, desrespeitosa e, de acordo com a maioria das pessoas, feia... Na minha casa, por exemplo, temos uma fachada em pedra vermelha, planejávamos limpá-la pra deixá-la bonita, ao nosso modo, porém num belo dia a vimos pichada, e fomos forçados a desistir do plano de exprimir nossa sensibilidade criativa, no nosso muro, por conta do capricho de adolescentes com problemas de ego e falta de educação social...

Mas esse nem é o maior dos problemas... O maior dos problemas é que algumas pessoas estão tentando transformar isso em ´arte´... 



Na última bienal das artes de São Paulo houve um painel para os pichadores... Segundo um dos curadores-chefes a amostra concedeu esse espaço pois os pichadores questionaram,  "os limites usuais que separam o que é arte e o que é política - uma questão que interessa muito ao projeto curatorial desta Bienal"

Ocorre que com esse ato, a Bienal deu um certo ar de legitimidade a pichação, confundindo o que é arte com o que é vandalismo... Aliás a Bienal tem feito isso já há algum tempo, na sanha de procurar as luzes da mídia, ela se vende com polêmicas para atrair a atenção que não consegue mais ter pelo próprio poder da arte... Isso é triste tanto por demonstrar um afastamento do público da verdadeira arte quanto da curadoria em se entregar ao ´pop´ da polêmica fácil e que vende bem... Um BBB da arte em que os criadores fazem o papel de Pedro Bial e usam a cantilena de ´arte é democracia e liberdade, tudo é arte´, cuja veracidade quase consegue esconder a falsidade por trás da realidade financeira por trás disso tudo....

Ah, sim, não vamos confundir grafiteiros com pichadores... Um é  artista, o outro é apenas um contraventor e, às vezes, assassino...


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uma nova era...

2 comentários:


Depois de longo e tenebroso inverno estou de volta para iniciar uma nova fase no nosso blog...

Decidi reanimar o blog trazendo a proposta original desse fórum de idéias: Convidando novos editores, ainda que tenham idéias bem contrárias às minhas (talvez por causa disso).

O primeiro desses editores se intitula Mágico de Oz, de dentro de seu bunker ele cultiva uma visão ... diferente... do mundo que vivemos. Encontrei (e debati) suas idéias por muito tempo e achei que seria uma prova de fogo para o nosso blog colocar seus textos a prova aqui em nosso blog.

Irei eu mesmo postar o primeiro texto dele, nesse post mesmo (talvez para temperar um pouco seu estilo irascível ou pelo fato dele não ter ainda seu mail devidamente configurado para postar pessoalmente suas idéias).

Informo, novamente, que as idéias a seguir expressas e todas assinadas pelo Mágico de Oz não constituem minhas convicções e ideologia (do editor Conspiração Ideológica), nem tampouco minha linha de pensamento (muito ao contrário). Mas o blog Conspiração Ideológica nasceu com a idéia de manter um debate franco, sem peias, sem preconceitos, no melhor estilo libertário que a Internet nos outorga, por isso saúdo um dos primeiros co-editores do blog, o Mágico de Oz!






Oz


ASSASSINOS do mundo regozijem-vos.

Nós brasileiros vos amamos, aqui, nestes país maravilhoso, onde se plantando tudo dá, agraciado por Deus e belo por natureza, mais que beleza, tem carnaval, tem nega Tereza, tem impunidade e malandragem, não aquela malandragem romântica, mas a malandragem real, aquela pra peixe grande.

Aqui vai ter copa do mundo e olimpíada, não se sabe ainda o preço. Mas pro malandro esperto é sinal de muitos lucros.

Não resta dúvida, somos o país do futuro.

Assassinos do mundo venham rápido.

Aqui vocês são bem vindos.

Somos o país do futuro, somos imorais e sem ética, vocês vão gostar.

Aqui vocês estarão seguros, nenhum país democrático pode pegar vocês aqui. Nós os protegeremos, vocês são o tipo de gente que queremos por aqui.

Aqui morou um tal de Gerson, um grande filósofo brasileiro, muito estudado por um tal de Luis Inácio. O lema do Gerson era tirar vantagem em tudo.

Por quê?

Porque ele era ESPERTO.

Se você for um assassino venha pra cá.

Se for um terrorista venha pra cá.

Venha pro paraíso, aqui seus crimes não valem nada. Pode matar a vontade, pode roubar a vontade, pode cometer os crimes mais vis que ninguém se importa.

O importante é fugir rápido de seu país e chegar aqui, são e salvo.

Nós não respeitamos tratados, nem sabemos bem o que é isso.

O Gerson nos ensinou muito bem, esse tal de tratado só vale quando é pra tirar vantagem de alguma coisa. Sem vantagem nada feito.

Corram pra cá. Vocês podem até virar brasileiros, viver aqui até morrer, sem responder por nenhum crime. Aqui vocês tem a ficha limpa. Aqui vocês são cidadãos modelo.

Sol, mar, praia, carnaval, futebol e impunidade. É o mundo perfeito.

Diplomacia por aqui é só para os nossos amigos.

Ditadores aqui viram democratas. Democratas são ditadores.

Aqui é Oz

Lula é nossa Dorothy, Dilma é nosso Leão, Tarso Genro o nosso homem de lata, e Amorim nosso Espantalho.

Aqui é a ilha da fantasia.

Lula é nossos Sr. Roarke, Dilma é o nosso Tattoo.

Para nossa diplomacia, preso político é bandido e preso comum é perseguido político.

Aqui nós não gostamos de açougueiros, porque quem come carne é burguês e quem alimenta burguês não merece nossos sentimentos.

Aqui, assassino, você pode ser imigrante, ter carteira de identidade, de trabalho, até passaporte. Você vira brasileiro.

As famílias das pessoas assassinadas só me resta dizer DANEM-SE. Memória das pessoas assassinadas não valem nada, nada mesmo. Aqui no brasil nós estamos rindo da memória dos mortos.

Terrorista aqui é bem vindo, se for de esquerda então é herói.

Assassinos do mundo venham para cá, nosso Cristo estará de braços abertos esperando por vocês, e o país não será uma mãe, mas uma prostituta, toda arreganhada para vocês fazerem o que quiserem em seu novo pais. Porque aqui as decisões são tomadas no apagar das luzes.

Bem vindos à Ilha da Fantasia, bem vindos a nossa querida Oz.

Brasil, o país dos assassinos e terroristas, ame-o ou deixe-o, e que o último feche a porta.

Mágico de Oz.